quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Índios se divertem!



Na verdade, novos estudos apontam que os indígenas traziam o senso de humor.
Viajantes do período colonial também apontam para a disposição para o riso e o humor entre os índios.
Alguns antropólogos afirmaram que os índios riem de tudo, são cômicos e fazem outros rirem.
Nos primeiros encontros, europeus e indígenas fitaram-se curiosos. Por vezes riram uns dos outros, e por vezes riram juntos.
Alegres e amantes do prazer, os índios começaram a zombar dos europeus tão logo estes puseram os pés em terras brasileiras. Reagindo às zombarias, os europeus riram, por sua vez, não sem certo desprezo, da simplicidade da nudez e dos gestos dos índios.
No convívio cotidiano, os europeus revelavam que a “alegria de viver” indígena permitiu um melhor convívio entre as diferentes culturas (indígena e européia) e permitiu que as risadas ecoassem pela selva.
O jesuíta José de Anchieta, empenhado na conversão dos tupis, depreciava a alegria de viver dos índios. Para Anchieta, a felicidade dos índios provinha do sexo e da antropofagia (consumo de carne humana).



Os viajantes destacavam que os tupinambás ocupavam-se com danças e bebidas para se animarem, que viviam em estado de alegria, de festa, sempre contentes e satisfeitos, sem preocupações nem tristezas.
Os índios debochavam e riam do convívio desajeitado dos europeus com a natureza e também das vestimentas que estes usavam.
Ao contrário do que diziam os estudos do início do século XX, os índios eram, sim, capazes de rir e fazer rir!

(Texto adaptado de FLECK, Eliane Cristina Deckman. Gargalhadas na selva. Revista de História da Biblioteca Nacional,ano 3, n.25, outubro de 2007).

Atividade-avaliação:

1. Do que riam os índios no período colonial brasileiro?
2. Do que riam os europeus no contato com os índios?
3. O que diziam os viajantes e o jesuíta José de Anchieta sobre a alegria dos índios?
4. Atualmente, no Brasil, os índios têm bons motivos para rir? Explique.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Escravidão ontem, escravidão hoje

Por que os colonizadores utilizaram o trabalho escravo na colônia americana?
Por que eles escravizaram povos africanos?

- Porque o cultivo da cana-de-açúcar em grandes propriedades e com a produção voltada para a exportação, necessitava de um grande número de trabalhadores;
- Porque os africanos, muitas vezes eram associados aos muçulmanos, deveriam ser trazidos à América para purgarem seus pecados;
- Principalmente porque o comércio de homens e mulheres africanos realizado pelos europeus era extremamente lucrativo, o que justificava a opção mais consistente pela escravidão africana em detrimento à escravidão indígena (que também existiu);


O tráfico de africanos

Uma boa fonte de lucro para navegadores e comerciantes.
Na África conseguiam negros para escravizar através de:
- Caçadas: entravam nas aldeias, perseguiam e prendiam seus habitantes.
- Negociação com os chefes das aldeias que vendiam membros de seu grupo em troca de tecidos, armas, jóias, tabaco, algodão, aguardente, etc.
- Provocação de guerras entre os diferentes povos para depois comprar os prisioneiros;


Rotas do tráfico





Cerca de 1/3 dos negros morria durante uma travessia de dois meses e meio a 3 meses




















Interior de um Navio Negreiro. No centro, um negro pede água ou comida.




Castigos físicos

Açoite público no tronco. Os delitos considerados graves eram punidos com o chicote; para as faltas menores usava-se a palmatória.








Uma das formas de resistência eram as fugas. Os senhores - no século XIX - publicavam nos jornais anúncios de fugas e prometiam recompensas para quem encontrasse os 'fujões'.






Existe escravidão no
Brasil de hoje?


Hoje a diferença é que essa escravidão independe de cor. O que eles têm em comum é a pobreza, que os submete a regimes de “trabalho escravo contemporâneo”, regimes estes que roubam não somente a liberdade, como a saúde destas pessoas, pois mal se alimentam e são expostas a trabalhos noturnos, perigosos, insalubres e o que é ainda pior, sem descanso.





Mesmo 120 anos depois da abolição da escravidão no Brasil, ainda há muitos casos de trabalho escravo.Os casos mais conhecidos são na Amazônia e as atividades que mais escravizam hoje são a carvoaria, a fruticultura e as plantações de cana de açúcar.


Atividade-avaliação
(Dica: procure complementar suas respostas com pesquisas bibliográficas ou em outros sites confiáveis da internet)

1. Por que o tráfico de escravos era lucrativo?
2. Analise a rota do tráfico e diga quais os principais portos de embarque de negros na África e principais portos de desembarque no Brasil.
3. Além das fugas, quais outras formas de resistência escrava podemos citar?
4. O que caracteriza a escravidão atual?
5. Pense, reflita e escreva por que ainda existem casos de escravidão no Brasil. Quais suas causas e quais as possíveis soluções?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cidades e industrialização

Com a industrialização no século XIX, tem-se:
- Crescimento demográfico (populacional);
- queda da mortalidade;
- maior produção de alimentos;
- melhoria sanitária;
- diminuição das epidemias;
- avanço da medicina;


Transformações urbanas no século XIX


















Cidades eram e são:
Materialidade: construções, ações do homem sobre a natureza;
Sociabilidade: relações sociais, interação, ritos, festas, comportamentos e hábitos;
Sensibilidade: percepções de emoções e sentimentos pelo viver urbano e pelas esperanças, desejos, medos, etc.


Lazer para uns, trabalho para outros.


Mulheres passando roupa




















As cidades ofereciam variedade de lazer e trabalho.
Que aspectos da vida urbana estas pinturas revelam?
Que classes sociais foram aí retratadas?












Crescimento urbano nas metrópoles: Londres, Paris, Berlim e Nova York. Mais de 2 milhões de habitantes em 1900.


Necessidades vieram:
# Reformas urbanas;
# reconstrução de bairros;
# ampliação da rede de água e esgoto;
# abertura de ruas e avenidas largas;
# Pavimentação;
# iluminação elétrica;

Aperfeiçoamento do transporte: metrôs, bondes, ônibus, ferrovias. Outros serviços: correio, telefone, hospitais e bibliotecas.


Estrada de ferro. Estação. Paris. Século XIX. (Monet)





Iluminação elétrica




Prazeres urbanos: A iluminação pública estimulou a vida noturna e o aparecimento de casas de espetáculos e cabarés. Em Paris, o luxuoso....






Nas cidades, a burguesia ostentava sua riqueza na arquitetura, na decoração dos edifícios, nos teatros, cafés e bibliotecas.

Costumes burgueses – cafés, passeios, jardins, praças.
Consumo: lojas de departamentos...

Classe média: pequenos negócios, mercearia, padaria, farmácia, loja, etc.



Nas grandes cidades:
notícias, jornais,
ambiente para se conhecer as novas tecnologias;
moda, arte e estilos;
concertos, óperas, teatro;

Nas cidades acontecia ainda as manifestações populares.




Do final do século XIX ao século XXI
No século XIX, vivia-se a Belle Époque (Bela Época), na qual a burguesia buscava a modernidade e a civilização para as cidades e os modos de vida.

No século XXI, vive-se a globalização, na qual as cidades, os países e as culturas estão interligadas.

Londres




Paris


Nova York



São Paulo



Avaliação:
1. As cidades eram um símbolo da era industrial. Explique por quê.
2. Muitas modificações ocorreram nas cidades desde o final do século XIX. Explique algumas.
3. A classe social burguesa estava presente nas cidades. Quais os gostos burgueses nas cidades?



Referências bibliográficas:

PESAVENTO, Sandra. cidades visíveis, cidades sensíveis, cidades imaginárias. Revista Brasileira de História. São Paulo, vol.27, n.53, jan-jun. 2007, p.11-24.
RODRIGUE, Joelza Ester. História em Documento. Imagem e Texto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Pré-História

O homem surgiu na África e não descendeu dos macacos, mas ambos descenderam de um tronco primata comum, um antepassado mamífero com capacidade de manusear coisas com as mãos.



Os homens passaram por várias mudanças. Com os hominídeos a locomoção ficou diferente, sobre dois membros, em posição vertical, o que chamamos de bipedalismo.
Mas muito antes do gênero Homo, vivia no leste e sul da África o hominídeo Australopitecus. Uma mudança climática também possibilitou a aparição de espécies animais como os antílopes e bugios. O Australopitecus alimentava-se de frutos, raízes e folhas.

O bipedalismo foi um dos acontecimentos mais marcantes da evolução humana, pois a libertação das mãos facilitou a caça, a fabricação de objetos e a vizualização das grandes feras. O homem ganhou maior mobilidade e conquistou o planeta.

O primeiro representante do gênero Homo é o Homo habilis, que evoluiu na África sem a extinção do Australopitecus. Um pouco mais alto e com membros superiores mais curtos, o Habilis não se locomovia com o auxílio das mãos. Ele não era ainda um grande caçador, mas rapinante (cortava cadáveres de grandes animais, como hipopótamos).
A aquisição da linguagem desenvolveu o pensamento e a construção de cultura. Com a evolução do tamanho do cérebro, o homem ganhou maior consciência e raciocínio. O desenvolvimento da linguagem oral é uma conseqüência da adaptação e evolução do cérebro.



Na seqüência evolutiva, Homo erectus – postura ereta – dominou o fogo. O primeiro conjunto fóssil do erectus foi encontrado em Java, depois na China, na África e na Europa. O mais conhecido fóssil de erectus é o Homem de Pequim. O certo é que o erectus, nascido na África, se dispersou e se diversificou segundo as regiões em que habitou.

O domínio do fogo aconteceu a aproximadamente 800 mil anos, segundo evidências em uma caverna próximo a cidade de Pequim na China. O fogo foi de extrema importância, pois possibilitou afastar as feras, partir pedras, fabricar cerâmicas, iluminar-se, aquecer-se e cozer os alimentos. As chamas davam luz à noite, permitia a realização de atividades não somente determinada pela luz solar, além de explorar o interior de cavernas. O homem pôde controlar o processo de queima e o mistério do calor. O fogo ainda conferiu um sentimento novo, uma nova liberdade, fonte de alegria e segurança. O homem se afirmou em relação ao animal. A vida passou a organizar-se de maneira mais estável, complexa e organizada, contribuindo com a organização social.

Com o “surgimento” da caça, o homem pôde imaginar novas armas. Foi uma importante atividade que devia ser planejava e pensada no coletivo. Com ela o homem aprendeu a trazer a caça ao “acampamento” e a partilhar, trocar, etc.

A passagem do Homo erectus ao Homo sapiens foi acompanhada por transformações. Do Homo sapiens há duas subespécies: o Homo sapiens neandertalensis e o Homo sapiens sapiens.



O homem de Neandertal viveu na Europa e na Ásia. Seu nome é o de um vale alemão onde foi encontrado a primeira espécie, em 1856. O neandertal é caracterizado como de altura baixa (menos de 1,6 m), musculatura vigorosa, poderosa dentadura e crânio desenvolvido. Ele era do frio, já que na Europa havia glaciações. Para se proteger do frio, ele se instalava em grutas voltadas para o sul ou construía tendas de pele. Caçava animais pequenos e grandes, pescava e comia moluscos, cozinhava seu alimento e fabricava instrumentos de pedra. Além disso, o Neandertal enterrava os seus mortos. Este fato é importante, uma vez que o cuidado com os mortos antes não existia. Traços de ritual funerário foram encontrados, sendo que o cerimonial incluía o enterro dos corpos deitados de lado e cercados de oferendas. Seu desaparecimento permaneceu inexplicado.

O sapiens sapiens se espalhou por toda a terra, a cerca de 20 a 40 mil anos atrás: a América, a Nova Guiné, a Austrália e o Japão possuem registros. A sua cultura evoluiu de maneira a nos revelar as primeiras manifestações artísticas indiscutíveis. Era coletor e caçador. Os vegetais, frutos, moluscos (possivelmente comiam caracóis, pelo grande número de conchas encontradas por arqueólogos), mel e ovos de aves faziam parte de seu regime alimentar – e não eram apenas complementos, uma vez que a caça nem sempre se concretizava. Como não podia conservar seus alimentos, consumia-os rapidamente.
O sapiens sapiens aperfeiçoou a linguagem, e os instrumentos criados anteriormente foram melhor utilizados graças a uma aceleração técnica e cultural. O crânio desenvolveu-se, as maxilas passaram a ser menos poderosas. Possuía espírito criativo, desenvolvendo a arte com pinturas gravadas nas paredes das cavernas.



O homem passou a usar instrumentos cada vez mais sofisticados e especializados pelo trabalho, ‘pedra polida’, arco e flecha, harpão, agulha de costura.. O homem passou a dominar a natureza, procurando vencê-la. Aos poucos, arte, religião e magia relacionaram-se na expressão de sentimentos e emoções da vida cotidiana que passaram a ser ordenados para satisfazer as suas necessidades psicológicas.


Roteiro de estudo:

1.O que é bipedalismo?

2.Por que o bipedalismo foi um dos principais acontecimentos da evolução humana?
3.Sobre o Homo habilis, diga como era:
a)a locomoção:
b)a alimentação:

4.No processo de evolução humana, diga qual foi a importância:
a)do desenvolvimento da linguagem.
b)do fogo.
c)da aprendizagem da caça.

5.Qual foi o primeiro hominídeo a enterrar os mortos? Por que o enterro dos mortos foi algo importante?

6.Sobre o Neanderthal, diga:
a)qual o porte físico.
b)onde vivia:
c)do que se alimentava.

7.Como era a alimentação do Homo sapiens sapiens?

8.Quais eram os instrumentos utilizados pelo Homo sapiens sapiens?


Referências bibliográficas:
BOURGUIGNON, André. História Natural do homem. Vol.1: O homem imprevisto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
CHILDE, Gordon. A Evolução cultural do homem. 5ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.
CLARKE, Robert. O Nascimento do homem. Lisboa: Gradiva, 1980.
GUGLIELMO, Antônio Roberto. A Pré-história. Uma abordagem ecológica. São Paulo: Brasiliense, 1991.
LEAKEY, Richard & LEWIN, Roger. O Povo do Lago. São Paulo: Melhoram0entos, 1988.