quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Independência Política do Brasil segundo Caio Prado Jr

“Os meses que medeiam da partida de D. João à proclamação da Independência, período finam em que os acontecimentos se precipitaram, resultou num ambiente de manobras de bastidores, em que a luta se desenrolava exclusivamente em torno do príncipe regente, num trabalho intenso de o afastar da influência das cortes portuguesas (...). Resulta daí que a Independência se fez por uma simples transferência política de poderes da metrópole para o novo governo brasileiro. E na falta de movimentos populares, na falta de participação direta das massas neste processo, o poder é todo absorvido pelas classes superiores da ex-colônia, naturalmente as únicas em contato direto com o regente e sua política. Fez-se a Independência praticamente à revelia do povo; e se isto lhe poupou sacrifícios, também afastou por completo sua participação na nova ordem política. A Independência brasileira é fruto mais de uma classe que da nação tomada em conjunto.”
(PRADO JR, Caio. Evolução política do Brasil: Colônia e Império. São Paulo: Brasiliense. pp. 52-53.)

Na interpretação de Caio Prado Jr. Como se fez a Independência do Brasil?

domingo, 3 de outubro de 2010

Independência Política do Brasil

“Os setores mercantis radicados no Rio de Janeiro só fizeram crescer em importância com o correr dos anos entre 1808 e 1822, combinando seus interesses com outros setores tradicionais, ligados à propriedade de terra, e com a burocracia político-administrativa do Rio de Janeiro. Em tais condições, esses poderosos indivíduos nada tinham a lucrar com a retomada da hegemonia pela antiga metrópole no império, como buscavam as cortes, preferindo polarizar as forças políticas em torno do príncipe regente, desde que mantidas a ordem e as estruturas vigentes e, sobretudo, o sistema escravista. As tensões sociais entre brancos europeus, brancos brasileiros, pretos e mulatos, uns forros, outros escravos e o pavor de insurreição dos cativos, nos moldes da rebelião do Haiti de 1791, com a qual as facções portuguesas ameaçavam o Brasil se viesse a romper os laços com Portugal, contribuíram, também, para situar D. Pedro numa posição privilegiada, como fiador de uma ordem ameaçada.
Na realidade, quando o príncipe regente proclamou – se é que o fez – o célebre Grito do Ipiranga, em 7 de setembro, que hoje se comemora como data nacional do Brasil, para a maioria dos contemporâneos a separação, ainda que parcial, já estava consumada. Esse episódio, aliás, não teve significado especial, não sendo sequer noticiado pela imprensa da época, exceto por breve comentário no jornal fluminense O Espelho, datado de 20 de setembro. Tornava-se necessário oficializá-la, com a aclamação de D. Pedro como imperador constitucional do Brasil, ocorrida em 12 de outubro, e a coroação, de 1º de dezembro – eventos que iriam buscar estabelecer, sem sentidos diferentes, os fundamentos do novo império”.
(NEVES, Lúcia Bastos. Estado e política na independência. In: GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo. (org.). O Brasil Imperial. Vol. 1 – 1808-1831. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p.128).

Analisando o texto, responda:

a) Quais grupos sociais brasileiros nada tinham a lucrar com a retomada da hegemonia metropolitana?


a) Segundo o texto, o que contribuiu para situar D. Pedro numa posição privilegiada?


c) Por qual motivo, o episódio da independência não teve significado especial?